10 de setembro de 2011

Palavras, apenas isso... (ou não)

Há coisas que ainda me surpreendem
Pessoas, imagens, recordações
Ás vezes eu própria
Para o bem e para o mal
Ainda gosto de ti
Ainda me lembro de ti a cada dia que passa
E ainda choro, seja onde for, quando for, cada vez que isso me vêm à memória
Mas não te quero aqui, não te quero de volta
Ainda dói demasiado
Talvez um dia, talvez nunca, mas de certeza que não agora
Não tenho coração, nem frieza para fazer de conta que nada aconteceu
Que tu não existes
Mas tu tens
Por isso...
Sem cera

8 de setembro de 2011

6 de setembro de 2011

Carta aos Amigos Mortos

Eis que morrestes – agora já não bate
O vosso coração cujo bater
Dava ritmo e esperança ao meu viver
Agora estais perdidos para mim
- O olhar não atravessa esta distância -
Nem irei procurar-vos pois não sou
Orpheu tendo escolhido para mim
Estar presente aqui onde estou viva.
Eu vos desejo a paz nesse caminho
Fora do mundo que respiro e vejo.
Porém aqui eu escolhi viver
Nada me resta senão olhar de frente
Neste país de dor dore incerteza.
Aqui eu escolhi permanecer
Onde a visão é dura e mais dificil


Aqui me resta apenas fazer frente
Ao rosto sujo de ódio e de injustiça
A lucidez me serve para ver
A cidade a cair muro por muro
E as faces a morrerem uma a uma
E a morte que me corta ela me ensina
Que o sinal do homem não é uma coluna.


E eu vos peço por este amor cortado
Que vos lembreis de mim lá onde o amor
Já não pode morrer nem ser quebrado.
Que o vosso coração que já não bate
O tempo denso de sangue e de saudade
Mas vive a perfeição da claridade
Se compadeça de mim e de meu pranto
Se compadeça de mim e do meu canto.


(Sophia de Mello Breyner Andresen, in Livro Sexto)

4 de setembro de 2011

2 de setembro de 2011

Palavra de ordem:  DESAPARECER!
Já chega! Estou cansada, não consigo mais.